8 de dezembro de 2011

5 de novembro de 2011

Doméstica


E já que há panelas e é necessário lavá-las eis aqui os panos que estarão expostos em minha cozinha. Alguém alguma vez viu os panos de prato de Coco Chanel, Maria Callas ou Salvador Dalí? É verdade! Ia já me esquecendo... Eles não têm valor algum.
Alguém alguma vez consultou o Alex Atala sobre seus indispensáveis panos? Imagine-se a cena: o chef vigoroso - com os paninhos da vovozinha ao ombro - a trabalhar na cozinha de Hefaistos partindo cebolas com espadas recém tiradas da forja. Que prato iria ele servir?

19 de setembro de 2011

Almofada de restinhos


Gosto de ter sempre disponível um trabalho de agulha portátil. É possível levá-lo para qualquer lugar e sacá-lo toda vez que a espera por qualquer coisa superar nosso limite de tolerância. Este que não precisei pensar para executar, então, foi rapidíssimo: bastava seguir o desenho impresso industrialmente na talagarça. Bom para fila de banco e espera de aeroporto, para não falar das esperas por consultas médicas e odontológicas. Verdade seja dita que meu dentista nunca atrasa, mas ele é exceção à regra...
Voltemos à almofada: empreguei nela todo restinho de cor que havia no baú, nada se perde do que foi comprado. Também devolvi ao tempo o tempo que as filas e esperas me roubou. Chamar "passatempo" a atividades produtivas como essa é incorreto, pois somente perco meu tempo quando me entrego ao tédio e perco horas importantes conferindo bobagens na net.

7 de setembro de 2011

Livro Bordado







E como as aranhas persistem, voltemos a elas. Eis que os ovos eclodiram e alguns deles ganharam as páginas desse livro que fiz num minicurso a que me dediquei com carinho. Foi ocasião de unir o texto ao têxtil, assunto tão vasto. Muito bom tirar do baú palavras quase descosidas de tão poucas e fixá-las num suporte  com o qual elas dialogam tão bem. Não sei dizer se o branco das páginas revelam o pouco que as mãos produziram ou a pouca imagem que as palavras suscitaram. Talvez esse livro seja a representação concreta de um diálogo que travo com mudos, cegos e manetas.
A mortal que emprestou seu nome ao aracnídeo tem sido minha musa há algum tempo. Quero dela apenas seu talento, não seu destino infeliz. Rivalizar com a Deusa - a mitologia nos diz - não costuma ser bom negócio e guardo igual distância de forcas e chinelos.

10 de agosto de 2011

Metafórico


E já que aranhas dedilham música no espaço queria costurar aqui o fio dessas palavras sem concretude. Estruturadas elas desafiam o discurso a dizer somente nas entrelinhas, já que as linhas pontuadas de verbos e substantivos embaralham e fazem nó. Texto e têxtil, com o galo cantando cocoricó e a manhã saltando em bolhas que pulam na tela de meu computador enquanto os dedos demorentos perseguem fumaças de sentido. Ai que o texto prevalece, mas o assunto que persigo é todo feito de fibra que amarra e de agulha que fura. Ocorre que quando a mão não trabalha a imaginação tem de compensar de alguma forma e isso é uma confissão de falência. Não fiz! Não teci, não bordei, não costurei, não crochetei, não tricotei, não fiz nada! Aranha encolhida destilando veneno que cobre de negro uma nota que eu queria colorida. Uma vez pensei coletar todas as metáforas têxteis fáceis demais e fazer melhor. Abandonei o projeto grande demais para meus ombros invejosos de Atlas e de Clarice, que cosia para dentro. Que agulha afiada empunhava essa mulher! Furou minha carne com imagens poderosas. Justo eu, que choramingo piegas.

7 de julho de 2011

A Física das Agulhas


Minha primeira postagem falava delas, das agulhas. Instrumento maravilhoso que agrega fios e constrói felicidade em nossas vidas. Pode-se materializar sentimentos? Estou certa que sim e os objetos que nos saem das mãos dizem um pouco dessa força interna que a Física não explica. Que unidade de medida pode medir esse impulso criativo que nos assalta quando empunhamos uma agulha? Não tem explicação. Coisa de amante.
Pois é, fui picada novamente e a responsável por isso foi Tania Stahl, que me apresentou uma nova agulha que deve ter sido a glória do engenheiro que a projetou. Vamos imaginá-la antes de vê-la.  Trata-se de um cilindro de titânio de aproximadamente 8 centímetros. Sua primeira terça parte é mais fina que a segunda, que é mais fina que a terceira. Há uma dobra no metal em ângulo de 90 graus que serve para empurrarmos a agulha com a ponta dos dedos. O diferencial da agulha é invisível a olho nu: precisamos tomar aos cegos sua habilidade de ver com as mãos. É maravilhoso! Quando deslizamos os dedos suavemente da ponta para o fim da agulha podemos sentir pequeníssimas ranhuras que servem para agregar as fibras penteadas de lã não torcida no processo da feltragem. Pronto! Está dito! É tão mais legal introduzir o objeto aos poucos, devagarinho, mantendo a intenção docemente em suspenso até não se poder mais... Eh que referência cruzada é a arte que realmente venho praticando ultimamente... E é verdade que pessoas que empunham agulhas podem fazer sangrar os mais ingênuos.
Esta golinha que fiz com a Tania foi a primeira de uma arte que pode muito mais!

30 de junho de 2011

M de mandruvá


Como João Cabral bem o disse, e disse primeiro e disse melhor, somos muitas Marias, iguais em tudo na vida... então minha capitular ficou de Mandruvá, que o santo Houaiss registra como variante de marandová. Que beleza de língua! E ainda bem que há a mandioca e a praga da mandioca, que alimenta lagarta tão bonita!
A lagarta não bordei não sei porque, talvez para não assustar uma certa Lourdes que morre de medo desse pedaço de vida tão verde quanto o musgo que é pura fotossíntese. Oxigênio: vida e morte da célula. E quem disser que eu fumei deve um brinde às sinapses sem estimulante!
Mas tá aí meu M, fotografado num dia tão sem luz que fez as cores esconderem-se de vergonha. Nessa manhã tão nevoenta em São Paulo em que posto na internet enquanto mastigo mandiocas e penso em mandorovás. O índio globalizado como diria o Oswald. Preciso parar de pilhar os poetas!

12 de junho de 2011

Música de manivela


Estes foram os primeiros. Outros virão. A oficina que estás prestes a terminar vai deixar saudades. Nela bordamos, costuramos, ouvimos poemas, rimos e falamos mal da vida alheia. Eu pelo menos sou a primeira a  falar mal de quem não reserva tempo para cultivar seu jardim. E olhe que meu barquinho anda fazendo água e meu jardim quase que só tem capim. Mas vamos lá, navegar é preciso...
Este poeminha copiei-o e deixei-o em minha caixa de costura. Chama-se Música de Manivela e está no livro Pau-Brasil de Oswald de Andrade.

Sente-se diante de vitrola
E esqueça-se das vicissitudes da vida
Na dura labuta de todos os dias
Não deve ninguém que se preze
Descuidar dos prazeres da alma

Discos a todos os preços.

Mais um


A proposta nos foi dada pela Benigna e pelo Wagner na oficina de criatividade que eles coordenam no SESC Pompéia. Tínhamos que inserir um pequeno tule bordado em outro tecido e modificar o conjunto todo. O meu ficou assim. Horas e horas consumidas desenrolando fitinha, prendendo miçangas, quiltando este paninho. Bom demais.

8 de maio de 2011

Notícia de rendição


Foi uma batalha perdida.
Capitulei.
Um exército de mil agulhas invadiu meu território organizado e revolveu tudo. Capturada, qual aranha psicodélica desfiei minha alma em cores que depositei ponto por ponto sobre o campo amarelo.
Caminho aberto a bala de canhão.
Resistir é inútil!

28 de abril de 2011

Groeningemuseum


Como hoje é meu aniversário, resolvi atualizar a foto de meu perfil, já que novos cabelos brancos se somaram aos que eu já tinha... Chove e faz frio em São Paulo, assim como chovia pouco antes de eu tirar essa foto em Bruges, em janeiro de 2011. O fato de tê-la visitado no inverno, me poupou de ter de dividí-la com os numerosos turistas que a visitam não sem razão. Assim, voltei de lá com a ilusão de ter uma cidade medieval só para mim!

Não dá para ver na foto, mas a sacola que tenho no braço veio do museu que mais fortemente me impressionou dentre os que conheci, o Museu Groeninge. Trata-se de um pequeno museu recheado de obras-primas da pintura Flamenga. Ambiente austero, nada de pessoas passeando pelos corredores como se museu fosse shopping center, proibição para fotos e filmagens (razão pela qual não tenho uma só imagem para mostrar). O foco do museu são as obras e as pessoas passam longos minutos frente aos quadros sem se importarem umas com as outras, já que todos reverenciam respeitosamente o mesmo objeto. Eu vi troca de informação entre os visitantes e não aquela impaciência nervosa de gente que se contenta em ler a legenda sumária do quadro. Nunca senti tanta vergonha pela minha ignorância como ali e considero mesmo que um museu sério é aquele que educa e estimula o estudo.
Tive a sorte de visitar o museu enquanto transcorria a exposição De Van Eyck a Dürer com obras emprestadas por numerosos museus europeus. O cuidado na conservação das obras é evidente, pois nunca vi cores tão luminosas em óleos de mais de 500 anos.

Fica aqui registrada minha indignação quanto ao Museu Rodin (Paris) que deixa um valioso Van Gogh exposto ao sol dessa maneira indecente só porque seu acervo é composto por esculturas de outro artista igualmente famoso. O quadro está tão desbotado e ressecado como aqueles pôsteres de restaurante de beira de estrada. Esta versão do Retrato de Pai Tanguy deveria ser dada como perdida e o museu que a abriga deveria ser punido por isso.

24 de abril de 2011

Benigna e Wagner

Levei o pano da Benigna e do Wagner para passear neste feriado de Páscoa. Foi emocionante vê-lo ser examinado por pessoas que ainda não sabem que o bordado pode ser criativo. D. Áurea (que borda ponto cruz divinamente) disse, encantada: "mas por aqui não temos disso ainda não!" Foi muito legal explicar para ela que o Patchwork era uma tradição norte-americana de costurar retalhos e que o Quilting consistia nas costuras que uniam as três camadas do "sanduíche" (forro, manta e top). Ela me olhou com um ar meio incrédulo e disse: "então não precisa seguir receita não?" Não nesse tipo de trabalho...
Benigna Rodrigues e Wagner Vivan são os artistas autores desse pano. Devagar as coisas que aprendo com eles  irão aparecer no blog. O tempo da colheita ainda não chegou, estamos na semeadura!

16 de abril de 2011

Professores e portas

Pensei estas coisas enquanto tecia estes dois cachecóis xadrezes (a cabeça africana foi souvenir da exposição ÁFRICA, que ocorreu no CCBB do Rio de Janeiro em 2003).
Uma vez, uma faxineira que trabalhava em casa me disse com um vigor inesquecível: "A vida é dura para quem é mole". Era tudo quanto precisava ouvir. Sou-lhe grata até hoje pela franqueza do pontapé duradouro, que lateja na memória toda vez que estou desanimada e lamurienta.
Lembrei da Bete (esse era seu nome), porque essa semana ouvi da Benigna outra coisa que não vai mais me sair da memória: ela disse que o bordado é como uma tatuagem que se incorpora à pessoa que somos para sempre.
Que delícia ouvir isso! Eu que não sou muito de flertar com as coisas, aprecio as relações duradouras, transformadoras, simbióticas. Ela disse também que não precisamos de uma montanha de paninhos bordados, precisamos daquele bordado significativo, que contém uma história, no qual depositamos algo de nós próprios, daquele que gestamos como um filho. É essa diferença que existe entre panos que são adorno e panos que são arte. A proposta deles é totalmente diferente. As revistas estão cheias de riscos e gráficos e moldes e PAP que são muito úteis, mas alguém que quisesse levar para um museu o produto desse trabalho, por mais belo e bem executado que fosse, estaria equivocado.
Sou grata à Benigna (como o sou à Bete, ao Henrique , à Sandra, à Tiyoko, ao Wagner, à Sueli, à Evelyn, à Mônica, à Bel, à Sávia, à Bia) por me mostrar a direção da porta que pretendo abrir.

25 de março de 2011

Armarinho Lil Weasel

Mercerie Lil Weasel

Uma das lembranças agradáveis que guardo da viagem foi a meia-hora que passei visitando este armarinho encantador! Alguém elogiou (pela net) a variedade e a qualidade dos produtos comercializados e a gentileza de sua proprietária, Carine. Para mim foi o quanto bastou para procurá-lo. E não foi fácil, pois ele fica "escondido" numa galeria longe do olhar dos que passam na rua.
Anne
Quando lá estive, fui muitíssimo bem atendida pela simpática Anne, que se esforçou por compreender o que eu dizia num francês lamentável! Ela mostrou-me pacientemente todo um estoque de agulhas de tricô nos mais variados materiais possíveis até que eu me decidisse por um, maravilhoso, daqueles que dá para deixar de herança... Com ele tricotei esta golinha com fecho em crochê.
Visitas virtuais podem ser feitas aqui, mas lá, ao vivo, é muito melhor!

21 de março de 2011

Jean Lurçat




Jean Lurçat foi o artista francês responsável pela renovação que a arte da tapeçaria sofreria na França à partir da década de 40. Os grandes ateliês - notadamente os de Aubusson - viviam de reproduzir e perpetuar uma figuração de gosto renascentista que fez a glória da tapeçaria nos séculos XV e XVI. Mas lá se vão muitos séculos: a função da arte, a sensibilidade do artista, o gosto do público, o diálogo com o seu tempo mudaram desde então. Para quem gosta do suporte têxtil, faltava algo novo.
Lurçat não foi o primeiro. Outros artistas antes dele experimentavam mandar tecer seus trabalhos, mas nenhuma dessas obras era pensada em termos de trama e urdidura, nenhuma delas levava em conta a especificidade da técnica têxtil. Tradições diferentes da francesa já experimentavam no têxtil novos caminhos, vide as propostas moderníssimas da Bauhaus na década de 20.
Quando Lurçat se rendeu à arte têxtil, ele abandonou uma sólida e reputada carreira de pintor. Não foi uma mera troca de suporte, saem os pincéis, entram liços e navetes. A arte dele mudou. Há um Lurçat pintor e outro Lurçat tapeceiro. Saiu de cena o pintor solitário e o que se seguiu foi um homem engajado em grandes projetos coletivos que dialogavam com o seu tempo sem desmerecer a tradição mais antiga donde a tapeçaria se originou. Essa tradição com a qual ele dialogava não era Renascentista, era Medieval.
A grande contribuição que Lurçat trouxe foi a simplificação da paleta de cores usada pelos tecelões e o uso do cartão numerado nos projetos. Vamos entender isso. Um cartão é um projeto gráfico em tamanho natural  daquilo que o artista quer reproduzir na tapeçaria. É o "mapa" que deve ser seguido meticulosamente pelos artesãos que operam o tear. É o "risco do bordado". A tapeçaria costuma ser obra monumental. Imagine-se uma peça de 4,0 x 12,0 m. São 48 metros de superfície tecida ponto por ponto, ou grão por grão, ou pixel por pixel. São necessários vários artesãos trabalhando simultaneamente por muitos meses para dar término à obra. Um cartão convencional é uma pintura que deve ser "interpretada", "traduzida" pelos artesãos por exemplo no tocante ao uso da cor, já que a lã não possui o espectro ilimitado de cores que as tintas possuem. Lurçat traçava as linhas dos contornos e atribuía números aos variados campos de cor de seu desenho. Cada número correspondia a uma cor de lã existente e disponível para uso dos tecelões. Ao fazer isso, Lurçat facilitava o trabalho dos artesãos que eram capazes de reproduzir fielmente o desenho nas proporções e cores concebidas por ele.
A decisão de abandonar os pincéis veio em 1939 quando Jean Lurçat conheceu a Tapeçaria do Apocalipse, em Angers. Para dialogar com essa tapeçaria medieval, nosso artista concebeu a sua O Canto do Mundo, em que apresenta a sua versão do apocalipse em tempos modernos. Essa série de dez tapeçarias está exposta na mesma cidade num prédio construído para ser hospital no século XII. O Hôpital Saint-Jean abriga hoje o Museu Jean Lurçat e a Tapeçaria Contemporânea, onde outros artistas têxteis podem ser visitados.

19 de março de 2011

Castelo d'Angers

O primeiro castelo medieval a gente nunca esquece! Quase não pude conter minha alegria ao ver suas muralhas cercadas pelo fosso-jardim. E imaginar que todas as suas torres possuíam telhados cônicos, mandados retirar há muitos séculos por serem alvo fácil dos incêndios provocados pelas balas de canhão. Mais velha que os castelos é a guerra entre os homens...
As dezessete torres e a muralha da fortificação abrigam em seu interior belos jardins,  palácio, capela e outras edificações além da galeria que abriga a Tapeçaria do Apocalipse.


11 de março de 2011

Apocalypse d'Angers

Angers jan 2011
Parte do pavilhão escuro para exibição
Sob o impacto da grandeza dessa tapeçaria que ilustra o Apocalipse de São João eu só posso exibir minha ignorância. Mais do que obra de um gênio (Hennequin de Bruges concebeu o cartão que foi tecido em Paris pela equipe de Nicolas Bataille)  quantas pessoas empregaram seu talento na confecção dessa tapeçaria de 130 metros? Que pessoas eram essas que construíam imagens com lãs e linhas; que pessoas eram essas para quem os anjos tocavam suas trombetas? As imagens são tão fortes que elas são como que o espírito das palavras da lei. Se há um homem versado no imaginário bíblico, esse homem só pode ser medieval. A nós fica reservado respeito estético.
Direito e avesso

600 anos de existência esmaeceram o colorido intenso da tapeçaria, mas seu avesso guarda a vivacidade das cores. É um show de vermelhos e azuis e verdes e amarelos e ocres trabalhados com lã muito fina, tingida com pigmentos naturais. A técnica empregada foi tão apurada que direito e avesso são idênticos, sem fios pendurados ou nós. Tal precisão permitiu que a tapeçaria fosse fotografada em seu avesso e os negativos reconduzidos à posição original para impressão em livro (L'Apocalypse de Saint Jean Illustrée par La Tapisserie D'Angers - Diane de Selliers Éditeur). Nele podemos verificar lado a lado o desgaste sofrido pelo lado direito da tapeçaria.
Cerca de 30 metros se perderam, mas o que restou não é pouco. O conjunto, mandado tecer em 1373, foi encomenda do duque Louis d'Anjou. É quase inacreditável que possamos ainda hoje admirar esse exemplar têxtil do século XIV.



Detalhe de maestria técnica
O Anjo toca sua trombeta anunciando desgraças sem fim




















A Besta do Apocalipse


O museu que guarda a tapeçaria foi construído (em 1954) especialmente para abrigá-la dentro do castelo de Angers, uma das principais atrações do patrimônio francês.

Balanço de Férias

É bem verdade que as malas estão desfeitas há muito, mas o tempo de organizar as lembranças andou escasso. Paciência, que se há de fazer.
O filho voltou de Vancouver com inglês afiado, poucas fotos e muitos games para consumir horas de sua preciosa juventude. Graças a um inverno ameno, os agasalhos tricotados mal saíram da mala. Quem sabe no Pólo Norte eles tenham alguma utilidade...
Do que vi com meus próprios olhos pretendo falar nas próximas postagens. Um pouquinho por vez. No "mano a mano" com Atlas sempre saio perdendo. A carne é fraca e a memória também.

2 de janeiro de 2011

Winter in Vancouver

Eis aqui a razão pela qual deixei às traças meu blog tão pobrezinho... Precisava despachar esse rapaz para o norte com agasalhos compatíveis com o frio que quase desconhecemos por aqui. Só nessa blusa foram consumidos 900g de lã numa trama bem fechada. A modelagem, para variar, ficou meio tosca.  Minha filha disse que parecia as blusas do Ron Weasley, no que eu concordei, só que não dispunha das agulhas mágicas com as quais mama Weasley tricotava tão rapidinho...
Dezembro se foi entre agulhas de tricô e muita expectativa quanto a essa viagem. Agora que ela se consumou, espero que ele aproveite bastante sua recém consquistada liberdade, enquanto volto minha atenção para as coisas que eu mesma espero ver de perto muito em breve. Falarei delas quando voltar. Preciso ainda tricotar alguns gorros para o restante da família antes de poder dispensar minha atenção para o blog.
É bem verdade que todos os agasalhos poderiam ser comprados em lojas, mas muita coisa d'antanho resiste em mim. Uma nostalgia estranha ao calor e à fumaça dos carros que envolvem a megalópole violenta em que vivo orientam meu desejo e meus esforços para uma vida mais chão a chão, em que cozinhamos porque precisamos comer e tricotamos porque precisamos vestir.Good trip, my son!