1 de março de 2012

Exercício Têxtil nº 5

Uta Melle
Outubro 2004

Busto catártico com a semente que germinou em mim a vontade das mãos que modelam fiapos de memória e cicatrizes de vitórias antigas.
Para Uta Melle tão linda e delicada musa. Danke.

14 de dezembro de 2011

8 de dezembro de 2011

Exercício Têxtil nº 2


Três cores análogas e uma complementar
Projeto: papel + colagem
Finalização: tecido + costura

5 de novembro de 2011

Doméstica


E já que há panelas e é necessário lavá-las eis aqui os panos que estarão expostos em minha cozinha. Alguém alguma vez viu os panos de prato de Coco Chanel, Maria Callas ou Salvador Dalí? É verdade! Ia já me esquecendo... Eles não têm valor algum.
Alguém alguma vez consultou o Alex Atala sobre seus indispensáveis panos? Imagine-se a cena: o chef vigoroso - com os paninhos da vovozinha ao ombro - a trabalhar na cozinha de Hefaistos partindo cebolas com espadas recém tiradas da forja. Que prato iria ele servir?

19 de setembro de 2011

Almofada de restinhos


Gosto de ter sempre disponível um trabalho de agulha portátil. É possível levá-lo para qualquer lugar e sacá-lo toda vez que a espera por qualquer coisa superar nosso limite de tolerância. Este que não precisei pensar para executar, então, foi rapidíssimo: bastava seguir o desenho impresso industrialmente na talagarça. Bom para fila de banco e espera de aeroporto, para não falar das esperas por consultas médicas e odontológicas. Verdade seja dita que meu dentista nunca atrasa, mas ele é exceção à regra...
Voltemos à almofada: empreguei nela todo restinho de cor que havia no baú, nada se perde do que foi comprado. Também devolvi ao tempo o tempo que as filas e esperas me roubou. Chamar "passatempo" a atividades produtivas como essa é incorreto, pois somente perco meu tempo quando me entrego ao tédio e perco horas importantes conferindo bobagens na net.

7 de setembro de 2011

Livro Bordado







E como as aranhas persistem, voltemos a elas. Eis que os ovos eclodiram e alguns deles ganharam as páginas desse livro que fiz num minicurso a que me dediquei com carinho. Foi ocasião de unir o texto ao têxtil, assunto tão vasto. Muito bom tirar do baú palavras quase descosidas de tão poucas e fixá-las num suporte  com o qual elas dialogam tão bem. Não sei dizer se o branco das páginas revelam o pouco que as mãos produziram ou a pouca imagem que as palavras suscitaram. Talvez esse livro seja a representação concreta de um diálogo que travo com mudos, cegos e manetas.
A mortal que emprestou seu nome ao aracnídeo tem sido minha musa há algum tempo. Quero dela apenas seu talento, não seu destino infeliz. Rivalizar com a Deusa - a mitologia nos diz - não costuma ser bom negócio e guardo igual distância de forcas e chinelos.

10 de agosto de 2011

Metafórico


E já que aranhas dedilham música no espaço queria costurar aqui o fio dessas palavras sem concretude. Estruturadas elas desafiam o discurso a dizer somente nas entrelinhas, já que as linhas pontuadas de verbos e substantivos embaralham e fazem nó. Texto e têxtil, com o galo cantando cocoricó e a manhã saltando em bolhas que pulam na tela de meu computador enquanto os dedos demorentos perseguem fumaças de sentido. Ai que o texto prevalece, mas o assunto que persigo é todo feito de fibra que amarra e de agulha que fura. Ocorre que quando a mão não trabalha a imaginação tem de compensar de alguma forma e isso é uma confissão de falência. Não fiz! Não teci, não bordei, não costurei, não crochetei, não tricotei, não fiz nada! Aranha encolhida destilando veneno que cobre de negro uma nota que eu queria colorida. Uma vez pensei coletar todas as metáforas têxteis fáceis demais e fazer melhor. Abandonei o projeto grande demais para meus ombros invejosos de Atlas e de Clarice, que cosia para dentro. Que agulha afiada empunhava essa mulher! Furou minha carne com imagens poderosas. Justo eu, que choramingo piegas.

7 de julho de 2011

A Física das Agulhas


Minha primeira postagem falava delas, das agulhas. Instrumento maravilhoso que agrega fios e constrói felicidade em nossas vidas. Pode-se materializar sentimentos? Estou certa que sim e os objetos que nos saem das mãos dizem um pouco dessa força interna que a Física não explica. Que unidade de medida pode medir esse impulso criativo que nos assalta quando empunhamos uma agulha? Não tem explicação. Coisa de amante.
Pois é, fui picada novamente e a responsável por isso foi Tania Stahl, que me apresentou uma nova agulha que deve ter sido a glória do engenheiro que a projetou. Vamos imaginá-la antes de vê-la.  Trata-se de um cilindro de titânio de aproximadamente 8 centímetros. Sua primeira terça parte é mais fina que a segunda, que é mais fina que a terceira. Há uma dobra no metal em ângulo de 90 graus que serve para empurrarmos a agulha com a ponta dos dedos. O diferencial da agulha é invisível a olho nu: precisamos tomar aos cegos sua habilidade de ver com as mãos. É maravilhoso! Quando deslizamos os dedos suavemente da ponta para o fim da agulha podemos sentir pequeníssimas ranhuras que servem para agregar as fibras penteadas de lã não torcida no processo da feltragem. Pronto! Está dito! É tão mais legal introduzir o objeto aos poucos, devagarinho, mantendo a intenção docemente em suspenso até não se poder mais... Eh que referência cruzada é a arte que realmente venho praticando ultimamente... E é verdade que pessoas que empunham agulhas podem fazer sangrar os mais ingênuos.
Esta golinha que fiz com a Tania foi a primeira de uma arte que pode muito mais!

30 de junho de 2011

M de mandruvá


Como João Cabral bem o disse, e disse primeiro e disse melhor, somos muitas Marias, iguais em tudo na vida... então minha capitular ficou de Mandruvá, que o santo Houaiss registra como variante de marandová. Que beleza de língua! E ainda bem que há a mandioca e a praga da mandioca, que alimenta lagarta tão bonita!
A lagarta não bordei não sei porque, talvez para não assustar uma certa Lourdes que morre de medo desse pedaço de vida tão verde quanto o musgo que é pura fotossíntese. Oxigênio: vida e morte da célula. E quem disser que eu fumei deve um brinde às sinapses sem estimulante!
Mas tá aí meu M, fotografado num dia tão sem luz que fez as cores esconderem-se de vergonha. Nessa manhã tão nevoenta em São Paulo em que posto na internet enquanto mastigo mandiocas e penso em mandorovás. O índio globalizado como diria o Oswald. Preciso parar de pilhar os poetas!

12 de junho de 2011

Música de manivela


Estes foram os primeiros. Outros virão. A oficina que estás prestes a terminar vai deixar saudades. Nela bordamos, costuramos, ouvimos poemas, rimos e falamos mal da vida alheia. Eu pelo menos sou a primeira a  falar mal de quem não reserva tempo para cultivar seu jardim. E olhe que meu barquinho anda fazendo água e meu jardim quase que só tem capim. Mas vamos lá, navegar é preciso...
Este poeminha copiei-o e deixei-o em minha caixa de costura. Chama-se Música de Manivela e está no livro Pau-Brasil de Oswald de Andrade.

Sente-se diante de vitrola
E esqueça-se das vicissitudes da vida
Na dura labuta de todos os dias
Não deve ninguém que se preze
Descuidar dos prazeres da alma

Discos a todos os preços.

Mais um


A proposta nos foi dada pela Benigna e pelo Wagner na oficina de criatividade que eles coordenam no SESC Pompéia. Tínhamos que inserir um pequeno tule bordado em outro tecido e modificar o conjunto todo. O meu ficou assim. Horas e horas consumidas desenrolando fitinha, prendendo miçangas, quiltando este paninho. Bom demais.