Tricô de dedo: eu nem sabia que existia. Esse cachecol em cascata é tão fácil de fazer que dá até dó: basta passar o fio pelos dedos da mão e ir derrubando o ponto um a um. Muito efeito, pouco trabalho. Dá para aproveitar o tempo com outras coisas. Por exemplo, assistir ao filme In Bruges, em que o diretor valoriza de tal maneira o cenário dessa cidade medieval belga que o eleva à condição de principal personagem do filme. Ou escutar ao álbum Show, da Ná Ozzetti, em que ela regrava clássicos de nosso cancioneiro de maneira primorosa. Quem gosta de afinação e instrumental caprichado não pode perder.
28 de outubro de 2010
25 de outubro de 2010
Tissume
Há alguns dias tive o prazer de conhecer Mercedes Montero e Maria, ambas expositoras de seus trabalhos têxteis aqui em São Paulo. O projeto Tissume, sediado em Pirenópolis - GO, resgatou a atividade em tear manual nessa cidade e inovou os produtos com o design criado pela Mercedes, de maneira que hoje há um núcleo maior de pessoas na comunidade gerando renda através do tear. Ela tece com tecido, fibras naturais, arame, algodão fiado à mão, fios industriais e o que mais sua criatividade inventar.
Bolsas, xales, luminárias, almofadas, blusas, vestidos, biombos possuem acabamento primoroso e estão longe de serem convencionais.
Bolsas, xales, luminárias, almofadas, blusas, vestidos, biombos possuem acabamento primoroso e estão longe de serem convencionais.
13 de outubro de 2010
Tapeçaria artística - links
Essa pesquisa é fruto de incansáveis horas frente ao computador perseguindo esse assunto de que gosto tanto. É importante que todos tenham em mente que cada site abaixo relacionado fornece sua própria lista de links para serem visitados, ampliando consideravelmente o que há para ser visto, especialmente páginas de artistas contemporâneos que eu adoraria conhecer... Convido outras pessoas a compartilharem seus conhecimentos sobre tapeçaria para que essa lista cresça ainda mais!
Brasil
Pouso do Tapeceiro - site da pousada onde o artista têxtil Henrique Schucman vive e trabalha.
Casa Andrade Muricy - entidade ligada à Secretaria da Cultura de Curitiba que promove exposições de arte e onde é possível encontrar informação sobre artistas têxteis poloneses.
Elke Otte Hülse - pesquisadora sobre artes visuais ligada à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Dissertação de mestrado: As Tramas dos Tapeceiros Narradores (parte I); As Tramas dos Tapeceiros Narradores (parte II); O Mestre Tapeceiro e os "Cadernos de Aluno", sobre a atividade docente de Ernesto Aroztegui; Tapeceiros na América Latina, artigo sobre Ernesto Aroztegui (Uruguai), Máximo Laura (Peru) e Jacques Larochette (Argentina).
Portugal
Manufactura de Tapeçarias de Portalegre - site de uma oficina que se propõe a confeccionar tapeçarias (com rigorosa técnica gobelin) sob encomenda para artistas ou colecionadores.
Portugal e as Tapeçarias Flamengas - arquivo acadêmico da Universidade do Porto em que a pesquisadora Roza Huylebrouck traça o inventário das tapeçarias flamengas em solo português.
Peru
MNAAHP - site do museu com riquíssimo acervo (não só têxtil) da produção de numerosas culturas pré-colombianas.
Museo Larco - site de museu.
Máximo Laura - artista têxtil contemporâneo.
Suécia
La Colección Paracas - site trilíngue do museu da cidade de Gotemburgo com importante acervo desta cultura.
Bélgica
Domaine de la Lice - site de uma associação de artistas têxteis contemporâneos militantes e suas propostas para uma tapeçaria com linguagem própria.
De Wit - site da manufatura real herdeira da tradição flamenga de tapeçaria.
França
Le Portail de la Tapisserie Contemporaine - site de artistas têxteis contemporâneos com fórum para debates e glossário. Pena que haja informação restrita apenas para membros...
Atelier Enila Tityad - site da artista com farta documentação de seus trabalhos e seu processo criativo. Ela é generosa, fornece fotos, fórum, bibliografia e explicações técnicas.
Polônia
Centralne Muzeum Wlókiennictwa - site do museu da cidade de Lódz, responsável pela realização das famosas trienais de tapeçaria pelas quais todo artista têxtil já passou ou deseja passar.
Estados Unidos
The Textile Museum - site do museu em Washington.
American Tapestry Alliance - site de uma associação norte-americana de artistas têxteis contemporâneos.
Susan Klebanooff - site da artista com fotos de seus trabalhos.
Alemanha
Gunta Stölzl - site com informações preciosas sobre essa pioneira da arte moderna têxtil na Bauhaus.
Anni Albers - site da fundação dessa dupla de artistas (Josef e Anni Albers) mestres também oriundos da Bauhaus.
Brasil
Pouso do Tapeceiro - site da pousada onde o artista têxtil Henrique Schucman vive e trabalha.
Casa Andrade Muricy - entidade ligada à Secretaria da Cultura de Curitiba que promove exposições de arte e onde é possível encontrar informação sobre artistas têxteis poloneses.
Elke Otte Hülse - pesquisadora sobre artes visuais ligada à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Dissertação de mestrado: As Tramas dos Tapeceiros Narradores (parte I); As Tramas dos Tapeceiros Narradores (parte II); O Mestre Tapeceiro e os "Cadernos de Aluno", sobre a atividade docente de Ernesto Aroztegui; Tapeceiros na América Latina, artigo sobre Ernesto Aroztegui (Uruguai), Máximo Laura (Peru) e Jacques Larochette (Argentina).
Portugal
Manufactura de Tapeçarias de Portalegre - site de uma oficina que se propõe a confeccionar tapeçarias (com rigorosa técnica gobelin) sob encomenda para artistas ou colecionadores.
Portugal e as Tapeçarias Flamengas - arquivo acadêmico da Universidade do Porto em que a pesquisadora Roza Huylebrouck traça o inventário das tapeçarias flamengas em solo português.
Peru
MNAAHP - site do museu com riquíssimo acervo (não só têxtil) da produção de numerosas culturas pré-colombianas.
Museo Larco - site de museu.
Máximo Laura - artista têxtil contemporâneo.
Suécia
La Colección Paracas - site trilíngue do museu da cidade de Gotemburgo com importante acervo desta cultura.
Bélgica
Domaine de la Lice - site de uma associação de artistas têxteis contemporâneos militantes e suas propostas para uma tapeçaria com linguagem própria.
De Wit - site da manufatura real herdeira da tradição flamenga de tapeçaria.
França
Le Portail de la Tapisserie Contemporaine - site de artistas têxteis contemporâneos com fórum para debates e glossário. Pena que haja informação restrita apenas para membros...
Atelier Enila Tityad - site da artista com farta documentação de seus trabalhos e seu processo criativo. Ela é generosa, fornece fotos, fórum, bibliografia e explicações técnicas.
Polônia
Centralne Muzeum Wlókiennictwa - site do museu da cidade de Lódz, responsável pela realização das famosas trienais de tapeçaria pelas quais todo artista têxtil já passou ou deseja passar.
Estados Unidos
The Textile Museum - site do museu em Washington.
American Tapestry Alliance - site de uma associação norte-americana de artistas têxteis contemporâneos.
Susan Klebanooff - site da artista com fotos de seus trabalhos.
Alemanha
Gunta Stölzl - site com informações preciosas sobre essa pioneira da arte moderna têxtil na Bauhaus.
Anni Albers - site da fundação dessa dupla de artistas (Josef e Anni Albers) mestres também oriundos da Bauhaus.
9 de outubro de 2010
Gorros para um inverno acalentado
Ei-los que vão saindo, para esquentar as idéias nesse inverno que se aproxima... no hemisfério norte! Nada como um frio arretado para acelerar as sinapses e povoar nossa memória de lembranças fecundas. Ai que saudade... Paisagens novas, sabores inusitados, pessoas e odores. Tudo novo para ver e rever. À bientôt!
Em tempo, a modelo fez greve, então tive de ser criativa...
4 de outubro de 2010
Sonho de armarinho - ou - O que o Drummond tem a ver com isso?
Mal conheci e lá fui eu visitar o armarinho sonhado pela Angélica. Um encanto! Menos balcão e mais sofá, do jeito que a gente gosta. Sortimento de materiais, aulas para todos os gostos, lugar para passar a tarde ocupando as mãos. Algumas vezes ocupa-se mais a língua, mas faz parte do ser mulher neste mundo. Assim que deixei minha sacola de panos para exposição, senti-me órfã. Bom, pensei com meus botões, os meninos precisam ganhar o mundo... Melhor assim, fabrico outros. Daí ouvi o poema O Elefante do Drummond ecoando nas minhas palavras e resolvi dar a vênia devida. Que fazer se ele disse melhor? Aí vai o poema, mas eu não quero encher linguiça (Ai que não me acostumo com a nova ortografia: que fizeram com o trema?)
Fabrico um elefante
de meus poucos recursos.
Um tanto de madeira
tirado a velhos móveis
talvez lhe dê apoio.
E o encho de algodão,
de paina, de doçura.
A cola vai fixar
suas orelhas pensas.
A tromba se enovela,
é a parte mais feliz
de sua arquitetura.
Mas há também as presas,
dessa matéria pura
que não sei figurar.
Tão alva essa riqueza
a espojar-se nos circos
sem perda ou corrupção.
E há por fim os olhos,
onde se deposita
a parte do elefante
mais fluida e permanente,
alheia a toda fraude.
Eis meu pobre elefante
pronto para sair
à procura de amigos
num mundo enfastiado
que já não crê nos bichos
e duvida das coisas.
Ei-lo, massa imponente
e frágil, que se abana
e move lentamente
a pele costurada
onde há flores de pano
e nuvens, alusões
a um mundo mais poético
onde o amor reagrupa
as formas naturais.
Vai o meu elefante
pela rua povoada,
mas não o querem ver
nem mesmo para rir
da cauda que ameaça
deixá-lo ir sozinho.
É todo graça, embora
as pernas não ajudem
e seu ventre balofo
se arrisque a desabar
ao mais leve empurrão.
de meus poucos recursos.
Um tanto de madeira
tirado a velhos móveis
talvez lhe dê apoio.
E o encho de algodão,
de paina, de doçura.
A cola vai fixar
suas orelhas pensas.
A tromba se enovela,
é a parte mais feliz
de sua arquitetura.
Mas há também as presas,
dessa matéria pura
que não sei figurar.
Tão alva essa riqueza
a espojar-se nos circos
sem perda ou corrupção.
E há por fim os olhos,
onde se deposita
a parte do elefante
mais fluida e permanente,
alheia a toda fraude.
Eis meu pobre elefante
pronto para sair
à procura de amigos
num mundo enfastiado
que já não crê nos bichos
e duvida das coisas.
Ei-lo, massa imponente
e frágil, que se abana
e move lentamente
a pele costurada
onde há flores de pano
e nuvens, alusões
a um mundo mais poético
onde o amor reagrupa
as formas naturais.
Vai o meu elefante
pela rua povoada,
mas não o querem ver
nem mesmo para rir
da cauda que ameaça
deixá-lo ir sozinho.
É todo graça, embora
as pernas não ajudem
e seu ventre balofo
se arrisque a desabar
ao mais leve empurrão.
Mostra com elegância
sua mínima vida,
e não há na cidade
alma que se disponha
a recolher em si
desse corpo sensível
a fugitiva imagem,
o passo desastrado
mas faminto e tocante.
Mas faminto de seres
e situações patéticas
de encontros ao luar
no mais profundo oceano,
sob a raiz das árvores
ou no seio das conchas,
de luzes que não cegam
e brilham através
dos troncos mais espessos.
Esse passo que vai
sem esmagar as plantas
no campo de batalha,
à procura de sítios,
segredos, episódios
não contados em livro,
de que apenas o vento,
as folhas, a formiga
reconhecem o talhe,
mas que os homens ignoram,
pois só ousam mostrar-se
sob a paz das cortinas
à pálpebra cerrada.
E já tarde da noite
volta meu elefante,
mas volta fatigado,
as patas vacilantes
se desmancham no pó.
Ele não encontrou
o de que carecia,
o de que carecemos,
eu e meu elefante,
em que amo disfarçar-me.
Exausto de pesquisa,
caiu-lhe o vasto engenho
como simples papel.
A cola se dissolve
e todo seu conteúdo
de perdão, de carícia,
de pluma, de algodão,
jorra sobre o tapete,
qual mito desmontado.
Amanhã recomeço.
sua mínima vida,
e não há na cidade
alma que se disponha
a recolher em si
desse corpo sensível
a fugitiva imagem,
o passo desastrado
mas faminto e tocante.
Mas faminto de seres
e situações patéticas
de encontros ao luar
no mais profundo oceano,
sob a raiz das árvores
ou no seio das conchas,
de luzes que não cegam
e brilham através
dos troncos mais espessos.
Esse passo que vai
sem esmagar as plantas
no campo de batalha,
à procura de sítios,
segredos, episódios
não contados em livro,
de que apenas o vento,
as folhas, a formiga
reconhecem o talhe,
mas que os homens ignoram,
pois só ousam mostrar-se
sob a paz das cortinas
à pálpebra cerrada.
E já tarde da noite
volta meu elefante,
mas volta fatigado,
as patas vacilantes
se desmancham no pó.
Ele não encontrou
o de que carecia,
o de que carecemos,
eu e meu elefante,
em que amo disfarçar-me.
Exausto de pesquisa,
caiu-lhe o vasto engenho
como simples papel.
A cola se dissolve
e todo seu conteúdo
de perdão, de carícia,
de pluma, de algodão,
jorra sobre o tapete,
qual mito desmontado.
Amanhã recomeço.
1 de outubro de 2010
Quadrados afegãos
Não fiz a pesquisa. Alguém sabe me dizer o que há de afegão nestes quadrados coloridos de crochê? Como diria o Rosa, o Afeganistão está em toda parte. E arre que eu estou literária. Culpa da chuva que cai lá fora e embaça a fotografia que eu queria luminosa. Não deu. Não dá. Não é quando a gente quer que as coisas acontecem. Elas têm andamento próprio. Andei perseguindo as palavras a semana inteira e elas fugiam de mim, escorregosas. Eis que agora, nesse dia cinzento e eu com os olhos inchados elas brotam de supetão. Tem explicação?
As mãos poderiam estar crochetando para terminar esta colcha incompleta, mas os dedos rebelados insistem em teclar as imagens cerebrais. Então, eu obedeço e calo toda pessoa que em mim é previsível para experimentar esta outra, mais solta e tagarela. O crochê introspectivo fica para depois: nada de coser para dentro hoje.
23 de setembro de 2010
Penélope e os mantos Paracas
Pinturas em vasos gregos retratam Penélope a trabalhar num tear como este, com pesos nas pontas. Imagino que se trate de um tear propício a tecidos maleáveis, tais como deve ter sido o pano funerário que ela tecia para o sogro. Penso num tecido fino, tipo sudário e não num tecido encorpado como os mantos de Paracas. Por falar nisso, esse fabuloso povo do Peru antigo realizou aquilo que Penélope apenas esboçou, já que desmanchava o trabalho em horas tardias. Esse povo tecia seus indescritíveis mantos para sepultar com honras os destacados dentre eles. Esses panos existem, podemos vê-los nos museus. Quem sabe se algum dia Penélope concluiu seu trabalho... Se os mitógrafos pudessem, qual Midas, materializar o objeto de suas narrativas, facilmente veríamos Indiana Jones ou Heinrich Schliemann cavocando até as pedras da Lua em busca do velocino de ouro,
da nau dos argonautas ou da caixa de Pandora. Contudo, justamente por serem imaginários, esses objetos continuam a nos inspirar decorridos alguns milênios. A mortalha de Laertes é um desses objetos míticos que desafia o talento de qualquer tecelão.
Os panos funerários produzidos por numerosas culturas pré-colombianas nada sabem da mitologia grega e da maneira européia de usar o tear. São eles sublimes por mérito próprio. Sua técnica e sua arte são testemunho da riqueza e sofisticação incomuns alcançadas por povos ditos "primitivos".
da nau dos argonautas ou da caixa de Pandora. Contudo, justamente por serem imaginários, esses objetos continuam a nos inspirar decorridos alguns milênios. A mortalha de Laertes é um desses objetos míticos que desafia o talento de qualquer tecelão.Os panos funerários produzidos por numerosas culturas pré-colombianas nada sabem da mitologia grega e da maneira européia de usar o tear. São eles sublimes por mérito próprio. Sua técnica e sua arte são testemunho da riqueza e sofisticação incomuns alcançadas por povos ditos "primitivos".
19 de setembro de 2010
Babados e Vampiros
Devaneios históricos à parte, minha bela modelo possui ambas as coisas no lugar: as idéias e a cabeça. Não é nem vampira nem guilhotinável. Sua carta genealógica remonta a gente desprovida de brasão. Comme tout le monde, aliás. Também seu encantamento com vampiros mais recentes não vai além do makeup próprio da idade. Bendita maturidade!
16 de setembro de 2010
Tiyoko Tomikawa
Quem a conhece, sabe. Estudar tear com a Tiyoko é mais do que o aprendizado cuidadoso de inúmeras técnicas. Ela vai mais fundo, pois atou os fios de sua própria vida ao tear. Responsável pela oficina de Arte Têxtil do Sesc Pompéia, há 24 anos ela compartilha o conhecimento altamente qualificado que possui com qualquer um que queira entrar para o clube dos que tecem. Já presenciei a Tiyoko ensinando soumak duplo e técnicas de kilim a pessoas leigas numa megafeira em São Paulo, ou o urdimento do tear pente-liço num banco de jardim... Ela oferece a cada um segundo o seu interesse e a todos atende com igual presteza. Há aqueles que a procuram para aprender a fazer xales e mantas para bebês, jogos americanos, tapetes e peças utilitárias. Há os interessados nas possibilidades infinitas de padronagem no tear de pedal. Há também aqueles que querem aprender a técnica minuciosa do gobelin para tapeçaria artística. Ela não sonega informação. Até as detentas do presídio feminino puderam aprender a tramar e a urdir algo mais concreto do que vinganças desesperadas ou esperanças débeis projetadas num futuro incerto.
Importa pouco a motivação de cada um, vale mais a satisfação pessoal que cada qual obtém com a confecção de um têxtil nascido da interação entre expectativa e domínio técnico. É bonito de se ver, brotar das mãos um artefato feito de persistência e engenho.
Entre as alunas, brincávamos que algumas de nós tinham shoyo na veia. Na verdade, muitas tinham. Literalmente. Mário, Hissae, Keiko, Mioko, Harumi, Maria, Darci, Liliam, Renata, Emy, João, Cléo, Paula, Ritinha, Rosa, Audrey, Sueli, Marilena, Sandra, Suzana, Serjão. Pessoas com as quais topei na minha época. Há muitas mais.
Quase tudo que sei de tear aprendi com ela. Falta agora aliar a técnica à criatividade que cada um deve buscar dentro de si para trilhar o seu próprio caminho têxtil. Sei que a Mestra aprova.
![]() |
| Meus panos de aprendizado do tear artístico |
Autocrítica
| Exercício de círculo, curvas e texturas |
O problema deste trabalho é que ele está sendo tecido sem um plano prévio. Não preparei nenhum cartão para ele; então, ele fica assim: pobre e sem rumo. Não sei o que quero dele. Este post também está assim: inútil. Na verdade não tenho nada para dizer. É que essa sensação de esterilidade incomoda e não acredito muito na inspiração das musas. Era melhor não ter escrito nada.
12 de setembro de 2010
Cachecol branco e preto
Tecido com linha fina e pente 4:1. Funcionou bem, porque o peso da linha deu um caimento bom para o cachecol. A padronagem é muito simplesinha: alguns fios pretos no urdume para sugerir um xadrez preguiçoso. Outro que fiz (e não tenho foto), misturei essa mesma linha com uma lã muito leve e felpuda, intercalando os fios do urdume. Batimento bem leve na trama. Ficou muito bom e bem mais quentinho.
O tear pente-liço tem essa qualidade boa que é a rapidez com a qual os trabalhos ficam prontos. No instante mesmo em que retiramos uma peça do tear ele nos convida a experimentar de novo com outra combinação de fios ou cores. Outros propósitos...
O tear pente-liço tem essa qualidade boa que é a rapidez com a qual os trabalhos ficam prontos. No instante mesmo em que retiramos uma peça do tear ele nos convida a experimentar de novo com outra combinação de fios ou cores. Outros propósitos...
10 de setembro de 2010
Alegria é a prova dos nove
Luz e sombra absolutas. Pode alguma coisa ser mais anti-Miró do que branco e preto? Não sou daltônica, meu olho alcança todo o pequeno espectro de cores que foi reservado aos humanos. Tampouco sou triste: alegria é a prova dos nove, já disseram. Alegria é verde-limão, cor-de-abóbora, azul cobalto, amarelo ouro, vermelho queimado. O som de minha risada é colorido e estridente. Coerência e comedimento não possuem cor. Ou melhor, são variações em torno de cinza. Neutralidades.
Então, para não destoar muito, vivo em branco e preto, mas sonho colorido. E bordo também. Esta tapeçaria foi toda composta com elementos tirados de Miró, mas o colorido é meu.
O cachecol branco e preto não poderia ser mais neutro... Quase frio. Ainda mais pelo fato de ser tecido com linha fina. O calor que ele abriga não vem dele. Vem da alegria incontida de experimentar as cores e fazê-las falar.
Então, para não destoar muito, vivo em branco e preto, mas sonho colorido. E bordo também. Esta tapeçaria foi toda composta com elementos tirados de Miró, mas o colorido é meu.
O cachecol branco e preto não poderia ser mais neutro... Quase frio. Ainda mais pelo fato de ser tecido com linha fina. O calor que ele abriga não vem dele. Vem da alegria incontida de experimentar as cores e fazê-las falar.
3 de setembro de 2010
Tapeçaria de Bayeux
| Apenas os contornos estão bordados... |
Em Bayeux fica o museu onde ela está exposta e na lojinha do museu é possível comprar kits para bordar. O kit compreende o linho riscado, as lãs nas cores e quantidades necessárias, a agulha para bordar, uma reprodução do fragmento a ser trabalhado e um gráfico com a chave de cores.
| Este livro traz o registro fotográfico da tapeçaria inteira |
Por sorte, em meu trabalho, posso contar com a reprodução fotográfica maior e muito mais detalhada publicada no livro ao lado. Ele contém o registro fotográfico mais recente e completo da tapeçaria. Suas imagens foram colhidas durante os trabalhos de reforma do museu onde ela se encontrava exposta. Ela foi estudada por diversos especialistas e, posteriormente, ganhou um novo espaço para exibição. Os visitantes podem admirá-la através de uma vitrine que a protege de mãos mais afoitas. Infelizmente, não é possível ver o avesso.
| Detalhe com o risco ainda sem bordar |
Nessa parte não cheguei ainda, mas sei que ela é muito rápida, já que os pontos têm cerca de cinco centímetros! Não vejo a hora de terminar para vê-la emoldurada na parede... Quem sabe se ainda este ano!
2 de setembro de 2010
Tapetão
Este é o tapete a que me referi no post passado. Ele foi todo bordado com lã sobre juta em pontos arraiolos e ainda não está terminado, faltam o emborrachamento e o acabamento das bordas. De tradicional ele não tem nada: recolhi motivos aztecas (e um nazca) e montei neste "tabuleiro de xadrez" multicolorido. A idéia era usar cores fortes e muito constrastantes em cada quadrado. O resultado aí está: um carnaval colorido para espanto de decoradores mais convencionais e aficcionados do Feng Shui.
Quanto tempo levei para bordar? Vários anos, ao sabor das tempestades... Depois que resolvi terminá-lo à sério, em meados de março, foram quatro meses. Calculei cerca de 180 horas de trabalho aprazível. Um pouco por dia. Enquanto bordava (principalmente os quadrados sem desenho, onde não havia gráfico para seguir e as bordas), cantei, estudei (áudio de línguas), conversei e ouvi trechos de livros que me foram lidos por outrem. Trabalhos manuais repetitivos proporcionam uma capacidade de concentração realmente especiais. Se eu pudesse bordar enquanto assistia às aulas na universidade meu aproveitamento teria sido muito maior. É pena que tal procedimento não seja bem visto pelos professores...
Quanto tempo levei para bordar? Vários anos, ao sabor das tempestades... Depois que resolvi terminá-lo à sério, em meados de março, foram quatro meses. Calculei cerca de 180 horas de trabalho aprazível. Um pouco por dia. Enquanto bordava (principalmente os quadrados sem desenho, onde não havia gráfico para seguir e as bordas), cantei, estudei (áudio de línguas), conversei e ouvi trechos de livros que me foram lidos por outrem. Trabalhos manuais repetitivos proporcionam uma capacidade de concentração realmente especiais. Se eu pudesse bordar enquanto assistia às aulas na universidade meu aproveitamento teria sido muito maior. É pena que tal procedimento não seja bem visto pelos professores...
31 de agosto de 2010
Atelier
Esta é a parede principal do atelier, onde penduro variados trabalhos (patchwork, tear, bordado e aplicação). Sobre a mesa estão algumas mantas e xales e no encosto da cadeira há um pequeno tapete de barbante (tear). No tear de pedal há um têxtil que é apenas teste de material.
Estes trabalhos já são antigos. Os recentes ou ainda não estão prontos, ou não são para pendurar. São eles: um tapete com ponto de arraiolos, uma colcha em quadradinhos afegãos de crochê, uma blusa de lã masculina em tricô, um cachecol com babados, um panô pequeno no tear e o bordado de um fragmento da Tapeçaria de Bayeux. São todos trabalhos grandes, encaro bem as empreitadas duradouras... Os pequenos terminam rápido demais.
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